Quem trabalha com pavimentação em Uberlândia sabe que o solo do setor sul, próximo ao Parque do Sabiá, não tem nada a ver com o que se encontra na zona norte, perto do Distrito Industrial. Enquanto no sul predominam latossolos argilosos bem drenados, em vários pontos da região norte aparecem camadas de solo siltoso que complicam o dimensionamento. A gente não projeta um pavimento aqui sem antes conhecer a fundo o valor de CBR do subleito. O ensaio que realizamos segue a DNER-ME 049/94 e a NBR 9895, e vai muito além de um número: interpretamos a expansibilidade, a energia de compactação Proctor intermediário e a influência da saturação por imersão. Para projetos onde o tráfego previsto é elevado, costumamos complementar com sondagens SPT para identificar a espessura real das camadas resistentes e definir a cota de terraplenagem sem surpresas.
CBR de laboratório não é só um número: é a previsão do comportamento do pavimento sob chuva e carga repetida durante vinte anos de serviço.
Considerações locais
A geologia de Uberlândia, com arenitos finos da Formação Marília sobre derrames basálticos da Formação Serra Geral, cria contrastes bruscos no perfil do subleito. Em menos de 500 metros você pode sair de um solo argiloso laterítico com CBR de 12% e cair numa faixa de silte arenoso com CBR de 3% e expansão elevada. O risco de ignorar essa variabilidade é trincamento precoce por recalque diferencial, principalmente em pavimentos rígidos. Já acompanhamos casos de vias recém-executadas que apresentaram afundamentos em trilha de roda com menos de um ano de operação porque o estudo geotécnico se baseou em apenas dois furos para um trecho de três quilômetros. A norma DNIT 137/2010 recomenda uma campanha de sondagens e coleta de amostras deformadas a cada 100-200 metros, dependendo da homogeneidade do terreno, e é exatamente essa densidade de investigação que aplicamos.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre CBR de laboratório e CBR in situ?
O CBR de laboratório é obtido em corpos de prova compactados na energia Proctor e ensaiados após imersão, simulando a pior condição de umidade. Já o CBR in situ mede a capacidade de suporte do solo no estado natural, sem compactação adicional. Para projeto viário em Uberlândia, utilizamos o valor de laboratório porque o subleito será compactado durante a terraplenagem, e o cenário crítico de saturação é o que governa o dimensionamento.
Quanto custa um estudo CBR completo para pavimentação?
O valor de um estudo CBR com campanha de campo e ensaios de laboratório para um trecho viário típico gira em torno de $100.000, mas o escopo varia conforme a extensão do trecho, o número de furos e a profundidade de investigação. Enviamos uma proposta detalhada após analisar o projeto geométrico e a localização da obra.
Com que frequência devo coletar amostras para CBR ao longo do traçado?
A recomendação normativa é de um furo a cada 100 a 200 metros, mas em Uberlândia a gente ajusta esse intervalo conforme a homogeneidade do terreno. Em regiões de contato entre arenito e basalto, onde o solo muda bruscamente, reduzimos o espaçamento para 50 metros. O critério é garantir que nenhum trecho de subleito com características diferentes fique sem caracterização.